segunda-feira, 21 de abril de 2014
Brandão Ferreira: PERGUNTAS NUNCA RESPONDIDAS NOS 40 ANOS DE “ABRIL”
PERGUNTAS NUNCA RESPONDIDAS NOS 40 ANOS DE “ABRIL”
12/04/14
“O inconseguimento de eu estar
Num centro de decisão fundamental
A que possa corresponder uma
Espécie de nível social frustracional
Derivada da crise”
Assunção Esteves, Presidente da Assembleia da República
(TSF, em 7/1/2014)
Passados 40 anos após a última grande esquina da História de Portugal, já deveria ter havido o discernimento, o bom senso e a vontade (que deles deriva), de fazer uma análise histórica – nas suas diferentes dimensões, nomeadamente política, estratégia, económica/financeira, social e cultural – de todo o período abrangido e que englobasse, para facilidade de entendimento e exposição, três períodos distintos:
1 - O período da última fase do Estado Novo, por exemplo desde o início do consulado do Professor Marcello Caetano;
2 - O período que começa com a acção militar no dia 25/4/74 – suas causas e execução – e por todo o período conturbado, conhecido por “PREC” e termina em 25/11/75;
3 - O período posterior até aos dias de hoje, e suas consequências.
Como tal não foi feito (e o que foi feito deixa muito a desejar) e não será feito a breve trecho, vamos cingir-nos a elaborar um conjunto de questões, que falam por si, independentemente do juízo que se intente fazer sobre elas.
São também as respostas às perguntas formuladas, que ajudarão, um dia, a escrever a História que deve ficar para o futuro e não aquela que insistentemente nos têm vindo a inocular como se de uma lavagem ao cérebro se tratasse.
Aqui fica uma mão cheia delas:
1º- Quais as razões que justificam, à luz da Moral e do Direito, a queda pela força do regime deposto?
2º- Se o regime deposto foi tão mau, como alegado por tantos, porque nunca se julgaram os responsáveis vivos, pela sua existência e práticas (nem sequer à revelia)?
3º- Quais as principais razões, assumidas inicialmente pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), para a execução do golpe de estado? Foram razões corporativas (isto é, do foro das FA)? Foi concretamente o Decreto – Lei 373/73 que espoletou o golpe? Foram razões
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políticas? Estratégicas? Sociais? Económicas? Quais e baseadas em quê? Foi por estarem
cansados de fazerem a guerra?
4º- Que informação tinha o MFA sobre a “luz verde” dada (solicitada?) pelo “Grupo de
Bildelberg” numa reunião ocorrida no Hotel D’Arbois, nos Alpes Franceses, propriedade do
Barão Edmond Rothschild, na qual, entre outros participou Lord Carrington – na altura,
Secretário – Geral da NATO – não sendo por acaso que uma esquadra da Aliança fundeou na
Barra de Lisboa no dia do golpe?
5º- Desde quando e porquê, o PCP passou a tomar parte no golpe? Desde o “ensaio” ainda mal
explicado, das Caldas, a 16 de Março? Ou antes?
6º- O que fazia o General Costa Gomes enfiado com a mulher, no Hospital Militar da Estrela,
no dia 25/4/74?
7º- Porque é que o Chefe de Governo, Marcello Caetano, nunca deu ordens para conter o
golpe e, à revelia do que estava previsto nos planos de contingência da altura, em vez de se
dirigir para Monsanto, foi meter-se na “boca do lobo” do Quartel do Carmo? Porque recusou a
fuga do mesmo, que lhe foi oferecida e era viável? O que quis negociar com o General Spínola?
8º- Porque é que 90% dos efectivos da PIDE/DGS (na área de Lisboa) decidiram, após o golpe,
concentrar-se no local mais inverosímil para o fazerem, ou seja na própria sede?
9º- Porque é que até hoje nenhum governo português intentou uma acção, lógica e
pertinente, que é a de solicitar ao governo da Federação Russa, a devolução ou, no mínimo a
cópia, de toda a documentação desviada dos arquivos nacionais, nomeadamente da DGS,
como não parece haver qualquer dificuldade em provar?
10º- Porque é que o MFA – autor do golpe – e a sua suposta cabeça dirigente, ou seja a, em
cima – da – hora formada, Junta de Salvação Nacional (JSN), cometeu a “imprudência” de não
terem declarado o “Estado de Sítio”, perdendo desse modo, e no próprio dia, o controlo da
situação?
11º- Ou terá sido de propósito?
12º- Idem para a leviandade com que a nível militar se começaram a prender e a sanear uns
aos outros, sem qualquer regra ou justiça, estilhaçando dessa forma a hierarquia, a disciplina e
a organização das FA, sem as quais nada se podia levar a cabo? FA que, recorda-se, estavam
em campanha em três frentes!
13º- Ou também foi de propósito?
14º- Como e porquê deixaram o Poder cair na rua, chegando-se ao ponto de colocar o país à
beira da guerra civil, a qual se evitou “in extremis”, a 25/11/1975?
15º- Porque se deixou entrar no país e libertou das prisões, uma quantidade de gente de mau
porte que, recorde-se, não estava presa por delito de opinião, mas incorria em crimes do foro
militar, de delito comum e, até, de traição à Pátria, sem que os mesmos ficassem a bom recato
à espera de julgamento?
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16º- O “granel” desculpa e justifica tudo o que se possa passar?
17º- Como se pode intentar um golpe de estado num país que, não estando oficialmente em guerra com ninguém, conduzia extensas operações militares das quais dependia a salvaguarda de grande parte do seu território e populações, sem pensar muito maduramente no impacto que tal golpe podia ter naquilo que estava em jogo e era de longe, a questão mais importante e delicada em que toda a Nação estava envolvida?
18º- Porque é que os mentores do golpe (e seus seguidores) não conseguiram ou quiseram discernir e perceber, que a defesa do Ultramar era distinta – por nacional – da simples mudança de um regime ou sistema político?
19º- Porque se permitiu que a obsessão política pela conquista do Poder se sobrepusesse a questões fundamentais para o País (e ainda hoje assim acontece…) e se fizesse tábua rasa dos meios para atingir os fins, muitos deles estranhos à matriz histórica, estratégica e cultural de todo um povo?
20º- Como explicar, melhor dizendo, como compreender que o que foi pensado para o dia seguinte – que é a parte mais importante num golpe de estado, ou revolução – neste caso o que estava condensado no Programa do MFA e na Proclamação da JSN ao País – nunca se conseguiu pôr em prática?
Finalmente:
Como explicar que nenhum dos “3 Ds”, constantes do referido programa do MFA, a saber, “Descolonizar, Democratizar e Desenvolver” tenha sido cumprido ou, dito de outro modo, tenha seguido o seu curso, estando hoje o país que nos resta no perigeu do seu poder relativo, desde que Afonso Henriques individualizou o Condado e na iminência de desaparecer como entidade política autónoma e soberana, comunidade com identidade própria e até, em vias de extinção como povo com características próprias (por via da demografia negativa, da emigração e imigração, só para citar estas)?
Ou seja, e em síntese por demais sintética:
1º- O “D” da descolonização resultou numa desgraça inominável e na maior vergonha histórica, desde 1128, cuja responsabilidade teremos que carregar como povo e sociedade organizada, para todo o sempre. Tendo, além dos que ficaram deste lado do mar, desgraçado sobretudo os portugueses dos territórios que abandonámos à sua sorte, os quais em vez de descolonizarmos – uma operação já de si aberrante, para a idiossincrasia da Nação Portuguesa, dadas as regras internacionais em vigor – entregámos nas mãos de forças marxistas, e só a essas.
Perdemos “apenas” e em pouco mais de um ano, cerca de 60% da população e 95% do território…
2º- O “D” da democratização está consubstanciado numa Constituição enorme, errada sob muitos pontos de vista, mal escrita, insensata e elaborada debaixo de condicionalismos vários. E, já agora, anti – democrática…
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De tudo resultou uma confusão doutrinária de se ter considerado a Democracia um fim em si mesmo, que ela não é, em vez de um meio para se atingir as três aspirações “utópicas” do Estado, a saber, a Segurança, a Justiça e o Bem-Estar (por esta ordem); na ditadura da partidocracia (com a agravante de o espectro político estar apenas representado do “centro até à extrema esquerda”- terminologia serôdia que já devia ter desaparecido há muito), baseada em partidos medíocres.
Partidos donde emanam políticos cada vez mais impreparados, na sua maioria autênticos papagaios troca - tintas em que já ninguém acredita nem suporta. E que se blindaram no poder.
Partidocracia que degenerou rapidamente em plutocracia, “corruptocracia” e “bandalheirocracia”!
O fulcro da Democracia acaba por ser a representatividade. Pergunta-se: hoje em dia, quem se sente representado?
3º- Finalmente o “D” do desenvolvimento.
Portugal era um país que em 24/4/1974 tinha estabilidade económica, financeira, social, com uma administração financeira honesta e regrada; onde todas as instituições funcionavam; em que a economia crescia 7% ao ano (no Ultramar era mais); possuía a 6ª moeda mais forte do mundo, escorada e protegida por 850 toneladas de ouro e 50 milhões de contos em divisas; tinha acesso ao crédito que quisesse a juros baixos; gozava de pleno emprego.
Conseguia tudo isto, note-se, ao mesmo tempo que tinha 230.000 homens em armas, em quatro continentes e quatro oceanos, dos quais 150.000 permanentemente empenhados em operações de contra - guerrilha, em três teatros de operações distintos a milhares de quilómetros da sua base logística principal, com muito limitado apoio aliado e apenas com generais e almirantes portugueses.
Orgulhosamente só (frase por norma tirada do contexto).
E sem dever nada a ninguém.
Como explicar que um país nestas condições, 40 anos depois dos “amanhãs que cantam” e das mais floridas esperanças, esteja no actual estado de banca rota e muito “acompanhado” internacionalmente, por tantos países e instituições que nos desqualificam, publicamente, no concerto das Nações (até nos chamam “PIGS”)?
Esteja, também, ocupado politica, económica e, sobretudo, financeiramente, por uma “Troika” (que ninguém sequer conhece bem, ou o que representa), depois de já ter passado por dois outras grandes “aflições” financeiras (em 1978 e 1983), que obrigaram à intervenção do FMI; e depois da adesão à CEE, em 1986, ter entrado dinheiro no país à média de dois milhões de contos/dia, de fundos comunitários?!
E estamos hoje ainda a tentar evitar a bancarrota à custa de sacrifícios de quem não é responsável maior por tudo o que se passou; deixando incólumes os responsáveis (que nem um pedido de desculpas se atrevem a dar), e da alienação contínua da soberania, das empresas, do património, da venda da própria terra e dando até início a um processo de prostituição colectiva, de que a outorga da nacionalidade a ricaços estranhos que queiram investir por cá, algumas centenas de milhares, é já exemplo eloquente!
Já me esquecia, estamos a sair da bancarrota à custa de fazermos mais empréstimos, com os quais ganhamos tempo para tentar pagar uma dívida e os juros da mesma – que ninguém sabe quanto é – mas que seguramente não iremos pagar nos próximos 100 anos…
Em que opróbrio de país nos tornámos?!
Foi para isto que se quis a tão decantada Liberdade – um conceito absoluto, porém de aplicação relativa – entusiasticamente tida como a principal conquista de Abril?
Ao fim de 40 anos celebra-se o quê?
João José Brandão Ferreira
Cidadão Português (nada, mesmo nada, satisfeito)
(Beneficiário nº 11337317689 da CGA)
Fonte: O ADAMASTOR
domingo, 23 de março de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Cossaco que se preze, deve tratar pussies rebeldes na base da chibata!
SIMPLESMENTE HILÁRIO!
"Frequentas pussies rebeldes? Não te esqueças da chibata" - Assim Falou Zaratustra
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Dresden, 13 - 15 de Fevereiro de 1945 - Um holocausto verdadeiro.
Hoje, 69 anos depois, muita coisa mudou, excepto pelo facto de que as mentiras permanecem vivas, assim como o inimigo e o fato de que ainda estamos aqui. Feridos, marginalizados, mas ainda de pé e lutando. Eles venceram a batalha, mas nós venceremos a guerra. Afinal de contas, já estamos mortos. Vivemos no tempo e combatemos na eternidade, encarnando o espírito da Revolução e da guerra perpétuas. Somos aqueles que jamais depuseram as armas. Somos os filhos de Dresden, as mulheres de Berlim e de Roma e os anônimos de Katyn. Somos os desaparecidos da Prússia Oriental e dos Sudetos, assim como aqueles que sucumbiram nos campos da morte americanos e durante o Plano Morgenthau. Somos os combatentes fuzilados, as crianças órfãs e as famílias arrasadas. Nós jamais esquecemos dos nossos mártires e daqueles que falhamos em proteger uma vez. Nós jamais perdoamos nossos inimigos pela sua carnificina e jamais esquecemos nosso dever como soldados, o nosso juramento de revelar a verdade ao mundo.
Não somos movidos pelo amor, mas pelo ódio. Não podemos amar esta ilusão, nem a condição deplorável à qual este mundo chegou, graças à vitória de nossos inimigos. Nós somos os gritos de justiça de cada inocente morto e oculto, somos a espada de cada soldado caído e o escudo de cada pátria ocupada. Nosso retorno é inevitável e certo. Assim como Dresden, Tel Aviv e Washington vão queimar nas chamas do inferno. Ofereceremos aos nossos mártires o sangue de nossos inimigos. Nós somos a vingança!
Victor
O Inferno de Dresden
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Lombroso discordaria deste post...
Assistindo a um programa sobre as prisões americanas no canal Foxcrime, me dei conta de que os presidiários americanos acabam por ser criaturas mais honestas e dignas que os defensores do "multiculti" e da mistureba... O primeiro critério de afirmação, separação e auto defesa por eles adoptado é o da RAÇA, o segundo; o imperativo da marginalização e segregação do fraco dentro de cada grupo, esmagando-o até que se torne forte e conquiste o respeito dos demais, ou então até que quebre de uma vez, enlouqueça ou morra. Sem dúvida que essa escumalha delinquente e decadente de brancos, pretos e chicanos têm muito a ensinar aos canalhas demagogos que governam o mundo e promovem o declínio dos povos.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 1961 - 1974
Espero que perdoem a um estrangeiro intrometer-se
neste grupo, mas é preciso
que alguém diga certas verdades.
que alguém diga certas verdades.
A insurgência nos territórios ultramarinos portugueses
não tinha nada a vercom movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia
(como ainda não há) «uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação
guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque
os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros
países.
ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto
foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida
Fundação Ford e (indirectamente) pela CIA.
O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem
implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser
trabalhado pelos americanos. só depois se virando para a URSS, tinha tais
problemas de «alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num
pós-operatório. Foi substituído pelo José Eduardo dos Santos,
treinado,financiado e educado pelos soviéticos.
A UNITA começou por ser financiada pela China, mas,
como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser
tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que
chegou até a um acordo com os portugueses.
MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O
controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana
branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por
não dar garantias de fiabilidade, e substituído pelo Samora Machel, que
concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando
Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu
aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas
tanzanianas.
GUINÉ –- O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral,
um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco
soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros
maioritariamente cabo-verdianos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve
guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Konakry e do
seu ditador Sékou Touré, cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné
portuguesa.
Em resumo, territórios portugueses foram atacados por
forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros.
Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima.
E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da
vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito
que, miitarmente falando, é único na História
contemporânea.
Então porque é que os portugueses parecem ter vergonha
de se orgulharem do que conseguiram?
Jonathan Llewellyn
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Bastardos Inglórios provando do próprio veneno...
Os judeus são tão engraçados! Só usam máscaras na "nossa" presença, pensando que não sabemos o que eles tentam esconder. AHAHAHAHA
Cruzando dados:
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Governo americano à beira da insolvência...
Bloomberg prevê o apocalipse da economia global
Os EUA ainda não conseguem definir
uma solução para a crise orçamental, o que, por sua vez, adia as
negociações sobre outro tema importante – o de aumento do teto da dívida
pública. No entanto, a falta de notícias dos EUA já faz com que os
mercados mundiais comecem a sentir febre.
Por
sua vez, a agência Bloomberg prognostica um apocalipse global, caso o
congresso americano não seja capaz de encontrar uma solução até 17 de
outubro. Para esta data, o tesouro público dos EUA ficará apenas com 30
bilhões de dólares, o que equivaleria a uma falência técnica da maior
economia mundial.
A
Bloomberg, uma das mais prestigiosas agências de informação
empresarial, prediz o colapso da economia mundial, se os EUA declararem a
suspensão do pagamento da dívida e não estiverem em condições de pagar
as obrigações estrangeiras. Os analistas comparam a suspensão do
pagamento da dívida com a falência do banco de investimento Lehman
Brothers que antecedeu a crise de 2008, e afirmam que agora tudo vai ser
ainda pior. Naquela altura, a quebra do Lehman Brothers provocou uma
recessão, a mais grave desde os tempos da Grande Depressão nos EUA,
tornando-se ponto de partida da crise financeira global, da qual o mundo
não se consegue recuperar até ao momento atual.
Se
agora os EUA pararem de pagar a dívida, isto levará à desestabilização
dos mercados de valores desde São Paulo até Zurique, paralisando o
mecanismo creditício ao serviço da dívida pública, cujo valor atinge 5
trilhões de dólares. Por sua vez, o último derrubará a moeda americana
empurrando a economia global para o "fim do mundo", acreditam na
Bloomberg. Os países que investiram nos títulos americanos mais que
todos – a China e o Japão – serão os mais afetados. Enquanto isso, uma
semana de paralisação do governo dos EUA já reduziu em 0,2% os ritmos de
crescimento do PIB.
A
situação é bastante complicada. São a reputação dos EUA e o sistema
político do país que sofrem maiores prejuízos devido à incerteza
orçamentária, julga Valeri Piven, analista da empresa Life Capital
ProBusinessBank:
“Os
investidores começam a duvidar da eficiência do aparelho estatal dos
EUA. No que diz respeito a outros efeitos vinculados ao pagamento dos
serviços da dívida pública, serão danificados praticamente todos,
inclusive os países que não têm investimentos volumosos. Porque a taxa
de títulos do tesouro é um marco de referência sui generis. No caso de
aumento dos riscos de não-pagamento essa taxa irá crescer, e logo a
seguir irão crescer também as taxas de todas as obrigações existentes no
mundo. Em resumidas contas, o custo dos empréstimos será maior.”
O
Congresso dos EUA ainda tem nove dias para a salvação. No entanto, a
confrontação dos democratas e dos republicanos continua, comenta Alexei
Golubovich, presidente da companhia Arbat Capital:
“No
Congresso está decorrendo uma luta entre os republicanos e os
democratas que disputam concessões em algumas verbas do orçamento e
também o programa de seguro de saúde, o qual os republicanos pretendem
cortar, enquanto Obama atua, neste caso, desde uma posição populista.
Este é o significado de todos os acontecimentos. Os republicanos
precisavam inicialmente de bloquear o financiamento orçamentário do
governo, o que eles alcançaram fazer, para mostrarem que, seja como for,
têm algumas forças para continuar resistindo ante Obama.”
Muitos
especialistas não compartilham o pessimismo da Bloomberg e o consideram
prematuro. Eles acreditam que o desenvolver da situação não chegará até
a moratória. Mais cedo ou mais tarde, pensam eles, os republicanos e os
democratas irão acordar no Congresso tanto sobre uma possível redução
das despesas como sobre o aumento do teto da dívida pública, crê Alexei
Golubovich:
“O
limite da dívida publica não pode ficar sem ser aumentado, o que é
evidente para sérios economistas e especialistas em matéria de mercados
financeiros, portanto não se pode tratar de nenhuma falência dos EUA.
Nos EUA será encontrada uma forma de chegar a acordo e as despesas
orçamentárias prosseguirão sendo financiadas. Na melhor das hipóteses, o
orçamento ficará ligeiramente cortado sob a pressão dos republicanos;
na pior opção, os republicanos se renderão.”
Raymond
McDaniel, CEO da Moody’s, influente agência de notação financeira,
também não duvida que a falência dos EUA é pouco provável. Segundo ele, a
versão da moratória por parte do Tesouro é "fantástica”. Ao
argumentá-lo McDaniel se refere aos acontecimentos de há dois anos.
Naquela altura, a decisão sobre o aumento do teto da dívida pública
também demorou bastante tempo devido à confrontação no congresso, mas
afinal de contas os republicanos e os democratas lograram chegar ao
consenso.
Fonte: Rádio Voz da Russia
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